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domingo, 5 de junho de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
Nossa Senhora de Natividade
NOSSA SENHORA DE NATIVIDADE
AS APARIÇÕES - Foram em número de cinco e testemunhadas unicamente pelo médico, cuja reação ás duas primeiras foi de espanto, e de indescritível emoção pe perplexidade às seguintes. A terceira, devido ao aparecimento misterioso da pedra (Cefas), único fato visto e confirmado por mais cinco pessoas, foi a mais impressionante. Todas ocorreram de tarde e num só lugar. A primeira, que durou segundos, tendo Nossa Senhora apenas dito: "Não se assuste, volte", aconteceu a 09 de maio de 1967, quando ele se encontrava a sós, inspecionando a construção de um rego na fazenda Coqueiro, propriedade de sua família. A segunda, de rápida duração também, e na qual Nossa Senhora desapareceu sem nada dizer, sucedeu oito dias após, a 17 de maio, estando ele em companhia do seu administrador Jerônimo Zuza e do fazendeiro Anir Silva. Na terceira, a 12 de julho do mesmo ano, Nossa Senhora ditou, em dez minutos aproximadamente, a primeira e enigmática mensagem, tendo ele, a seu lado, sua senhora, Maria Elisa, o médico Walter Novaes, os fazendeiros Waldir Carvalho e Bartolomeu Barra e o seu administrador, os quais, perplexos, viram, no final, o aparecimento da pedra nas mãos do médico. A 123 de julho de 1968, exatamente um a ano depois da terceira, e não obstante ter ele ido ao local, nesse período, mais de cem vezes, sobreveio a quarta, quando levou e mergulhou pela primeira vez no regato a pedra misteriosa. Nessa aparição, Nossa Senhora, ao ditar a segunda e longa mensagem, contendo uma frase para a qual pediu segredo, identificou-se claramente. Ao término da mesma, que se prolongou por quase uma hora, um fato se deu: uma nuvem escura, isolada no céu claro, pairou sobre o locar, deixando cair uma neblina, seguida de uma aragem, o que causou grande emoção na multidão ali comprimida.
A quinta aparição ocorreu 10 anos depois da terceira, a 12/07/1977, e nela Nossa Senhora pediu para que a Cefas (pedra) fosse colocada na réplica de Sua casa em Éfeso no Santuário, em Natividade, e que, quanto a frase sigilosa de sua 2a mensagem (4a. aparição) Ela própria breve, diria o que fazer. Ao afirmar que de Èfeso ela foi levada ao encontro de Seu Filho no Reino de Deus, Nossa Senhora pôs um ponto final na controvérsia histórica quanto ao verdadeiro local de Sua gloriosa Assunção.
O LOCAL - As aparições tiveram lugar num único ponto do regato existente no sítio milagre, adquirido em princípios de 1967 e integrante da fazenda Coqueiro, situada perto de Natividade, cidade do extremo-norte do estado do Rio de Janeiro. Essa singular e estranha denominação do sítio - Milagre - embora constando dos registros da Prefeitura desde 1942, era desconhecida até princípios de 1968, e foi descoberta, por acaso; pelo fazendeiro Aloísio Silva, depois, portanto, da terceira aparição. Ninguém lhe explica bem a origem.
O REGATO - Nasce em rochas elevadas e a água é límpida e puríssima. Em frente ao oratório está assinalado o lugar onde Nossa Senhora apareceu. Aí, também, se deu o aparecimento da pedra nas mãos do médico.
A FIGURA DE NOSSA SENHORA - Ela apareceu sempre em "carne e osso", conforme expressão do médico, nítida e inconfundível como criatura humana vista a curta distância. Olhava-o fixamente. Sua postura ereta, com as mãos juntas acima da cintura e os pés descalços dentro do leito raso do regato. Um destaque impressionante: as mãos e os pés eram dourados! Usava vestido inteiriço, de mangas largas, de tecido grosso e modelo primitivo. Cinza-azulado claro e manto igual na cabeça. È alta, magra, aparentando quarenta e poucos anos. Pele alva, rosto oval e bonito, com uma expressão acolhedora e santa. Olhos grandes, bem afastados um do outro, castanhos -claros, sendo da mesma cor dos cabelos. Voz suave, num português perfeito. Sorriu uma vez na primeira aparição e tornou-Se triste na quarta, ao ditar a seguinte frase: "Que conserve meu templo sempre aberto, instransigível e inviolável".
A IDENTIFICAÇÃO - Embora já transparecendo nas frases iniciais da primeira mensagem, a identidade de Nossa Senhora só se revelou claramente, por Suas próprias palavras, na quarta aparição. Nesta, também, o médico tem a comprovação na frase em que Ela se refere ao seu pedido de Fátima e Lourdes, cujo conteúdo só ele conhecia.
AS MENSAGENS - Foram todas ditadas pausadamente e os originais podem ser vistos. As duas primeiras encerram algumas frases de difícil interpretação. A segunda, que contém a frase sigilosa, e, principalmente, uma exortação de profundo sentido espiritual e religiososo.
A PEDRA MISTERIOSA - Pesa quase duzentos gramas e foi classificada pelo Ministério de Minas e Energia como sendo Hematita, dos mais importantes minérios de ferro e grandeza do Brasil, mas não encontrada na região de Natividade. É exposta, permanentemente, em cofre relicário de segurança, na casa da Nossa Senhora, no local das aparições.
O RETRATO FALADO - Foi executado, após a terceira aparição, em agosto de 1967. Resultou de perseverante colaboração do médico e graças, sobretudo, ao talento artístico da pintora e poetisa, professora Iraci do Nascimento e silva. O original está em Natividade e reproduz com fidelidade o rosto de Nossa Senhora em Suas aparições, conforme Ela própria mencionou na segunda mensagem.
O SANTUÁRIO - Foi construído em 1967, no local das aparições e após a terceira. Por causa da frase enigmática que fala em Éfeso, contida na segunda mensagem, o médico visitou Éfeso em 1973, e, em 1974, fez erigir, aí, uma réplica-exata e única no mundo da casa, situada nas proximidades daquela cidade, hoje, da Turquia, onde Nossa Senhora viveu 9 anos e de onde foi alçada gloriosamente ao Céu. A casa de Èfeso foi visitada pelos Papas Paulo VI, em 1967, e João Paulo II, em 1979.
A IMAGEM - É de autoria do escultor Matheus Fernandes, do Rio de Janeiro. A de bronze foi entronizada no Santuário em 1969, e a de gesso, pintada, está no altar da réplica da Casa de Éfeso,. Ambas simbolizam a figura de Nossa Senhora em Suas aparições.
O TÍTULO - A exemplo do que se tem dado com outros idênticos mistérios, o povo consagrou o nome - Nossa Senhora de Natividade que se diferencia do da padroeira da cidade desde a fundação, que é Nossa Senhora da Natividade.
AS ROMARIAS - São permanentes , gente de todas as partes do País e do estrangeiro. Os locais são franqueados, bem como são gratuitas a colheita d'água e a distribuição de impressos. Só não se permite tocar na pedra ou conhecer a frase sigilosa.
O MÉDICO - É católico. Nasceu no Amazonas, em 1915. É também advogado e fazendeiro. Foi duas vezes deputado estadual, abandonando a política em 1959. Aposentou-se como consultor jurídico da Secretaria de Segurança - RJ. Casou-se em 1938 com Maria Elisa Guimarães de Faria e tem um filho advogado e dois engenheiros agrônomos. Faleceu em dezembro de 1981, em Natividade.
A DIVULGAÇÃO - Com a aparição misteriosa da pedra, constante de depoimento insuspeito das cinco pessoas que também testemunharam o fenômeno - prova incontestável da realidade sobrenatural dos fatos vividos - o médico iniciou a divulgação das espantosas e sublimes aparições. E o fez, endossado por conselhos eclesiásticos, com todo o respeito à Igreja, cujo pronunciamento ele tanto almejava.
A POSIÇÃO DA IGREJA - Apesar do silêncio ou da reserva, naturais e compreensíveis, das autoridades diocesanas, são numerosos os membros de ordens religiosas que, me caráter de devoção ou estudo, visitam Natividade. O primeiro prelado a procurar o médico foi D. Luiz Sartore. Arcebispo de Santa Maria- RS, e o primeiro dignitário episcopal a visitar o Santuário foi D. José Joaquim Gonçalves, Bispo -Auxiliar de Curitiba, que ali rezou e abençoou os romeiros presentes.
1ª MENSAGEM DE NOSSA SENHORA
Ditada em sua 3a. aparição ao médico Fausto de Faria, a 12/07/1967, em Natividade - RJ.
Os meus símbolos têm vários nomes, mas eu sou uma única criatura.
Para os céticos incrédulos, eu sou a mensageira das verdades divinas.
Está água passa por uma Cefas que há muitos anos caiu de onde eu venho.
Quem dela beber, penitenciando-se, conhecerá os milagres da Fé e do Amor.
Não deixe que meu templo seja incendiado - o templo do meu primeiro símbolo.
Apanhe esta Cefas de ferro, minério do qual o Brasil é muito rico. Guarde-a íntegra, em Natividade e todos os anos traga-a para ser colocada nesta água.
Volte à sua vida e ao seu destino.
Ponha as mãos, assim, como estão as minhas, dentro d'água junto aos meus pés.
OBS: O aparecimento misterioso da Cefas (pedra) se deu após a última frase.
2a MENSAGEM DE NOSSA SENHORA
Ditada em sua 4a. aparição ao médico Fausto de Faria, a 27/07/1968, em Natividade - RJ.
Eu sou realmente Miriam, mãe imaculada de Jesus unigênito.
Meu símbolo primordial, porque característico, é a maternidade divina razão de minha própria existência.
Meu templo, que os ímpios e apóstatas também tentam destruir, é o culto universal a minha condição de mãe de Deus feito homem.
Eu sou a mensageira da Fé e do Amor para a cristandade traumatizada pela discórdia, em meio à humanidade ameaçada em seu espiritualismo.
A Igreja de meu Filho - guardiã e intérprete primeira de sua doutrina - e da qual também sou Mãe, eu transmito a seguinte exortação:
"Que, sem renúncia a sua essência e aos seus valores fundamentais, sabiamente continue a ajustar sua ação à face dos tempos, a fim de melhor cumprir sua sagrada missão espiritual evangelizadora, sobretudo, e participar, da maneira mais ampla e decidida, mas pacificamente, na solução dos problemas de ordem social e econômica, atinentes, à doença, á pobreza, à ignorância e à opressão, indispensável à paz dos povos e das nações.
Que não se esmoreça no longo e árduo caminho de edificação de um só e grande templo que acolha a unificação do cristianismo, ampliando assim, a fé e a pregação em defesa da família e da sociedade contra as forças desagregadoras da decadência espiritual, moral, os preconceitos, o orgulho e o ódio, a maldade e a violência.
Que restabeleça o primado do culto a Deus e a meu Filho, sem mácula das invocações aquelas cujas vidas comprovadamente santas, sejam fortes perenes de virtudes.
Que conserve meu templo sempre aberto, intransigível e inviolável.
Que mantenha a respeitabilidade dos seus templos, a hierarquia e a autoridade dos seus oráculos episcopais, principalmente do maior de Cefas.
Que se acautele com os incendiários da fé e da disciplina em seu próprio seio.
Atenção! Fica a seu critério a conveniência e oportunidade da divulgação da seguinte frase:
"___________________________________________________"
Que o homem na sua genialidade e grandeza - dádivas de Deus - não se ofusque com suas conquistas.
Em vão prenunciarem, porque este mundo só se extinguirá com a sua luz, não antes de passarem milhões de anos e de haver a humanidade caminhado para outros mundos.
Enquanto não for depositada definitivamente, no templo do qual sou padroeira, em Natividade, que jamais falte alguém para guardar e aqui trazer, todos os anos, esta Cefas, penhor e símbolo da minha presença permanente neste regato e neste recanto abençoado de fé e esperança, de consolo e resignação, e onde as graças por meu meio obtidas, sejam apenas registradas no silêncio da humildade, das orações e penitências, em favor dos sofredores e infelizes, das almas, da união das famílias cristãs e espirituais, dos pecadores e incrédulos.
Esta é a minha imagem, nesta revelação. Que seja divulgada com esta mensagem.
O seu pedido de Fátima e de Lourdes não pode ser atendido, porque a fé não está condicionada as revelações de Deus. Sejamos bons e humildes e oremos para alcança-la e senti-la.
Este é meu segundo e último adeus desde Éfeso.
Eu o abençôo a todos aqui presentes que vieram com fé ou em busca da fé, e desejo que minha benção maternal chegue a todos quantos , homens e mulheres, em todas as partes do mundo, com renúncia, abnegação e sacrifícios, está a serviço de Deus em seu apostolado e ministério.
Não sinta a indiferença e o insulto dos orgulhosos e descrentes. Reze por eles. Adeus
3a MENSAGEM DE NOSSA SENHORA
Ditada em sua 5a. aparição, em Natividade - RJ, a 12/07/1977
Dez Anos. Não se aflija mais com a responsabilidade da CEFAS e da frase sigilosa em seu poder.
Deposite a primeira, embutida em cristal visível no meu novo templo, imagem de Éfeso, de interonde me levaram ao encontro do meu Filho no Reino de Deus.
Quanto à frase, eu lhe direi em breve.
Perdôo-o . O importante e que eu estou vendo a todos.
(Este último parágrafo foi uma resposta aos constantes apelos do Dr. Fausto para que Ela aparecesse a outras pessoas).
São Francisco Xavier

São Francisco Xavier é um destes contagiados pelo Amor. Seu ardor missionário e o testemunho de vida conquistaram o mundo e motivaram tantos outros a seguirem o mesmo caminho, como aconteceu com o bispo italiano Guido Maria Conforti que, 343 anos depois da morte de Francisco, fundou um instituto, os Missionários Xaverianos, para dar continuidade ao sonho de Xavier de evangelizar a China.
A VIDA DE XAVIER
Contar como foi a vida deste santo missionário é, no mínimo, uma honra para quem o faz e uma graça para quem lê ou escuta. Com a ajuda do Pe. Luís González-Quevedo, jesuíta, diretor da Revista de Espiritualidade Inaciana, apresentamos alguns detalhes da vida de São Francisco.
A VOCAÇÃO
Francisco Xavier nasce em Navarra, Espanha. Caçula de cinco irmãos, tem uma infância feliz até que o jogo das alianças políticas envolve a família numa guerra. Perdendo a guerra, a família de Xavier fica na ruína. O pai morre e os irmãos mais velhos fogem. Ficará o jovem Francisco para administrar os negócios da família. Terminada a guerra, o irmão mais velho, Miguel, volta a assumir a liderança da família.
Francisco fica livre, então, para realizar seus sonhos:
- entra no Seminário de Pamplona e, logo depois, viaja para Paris, a fim de se formar na melhor universidade da época. Tem dezenove anos e aspira, como muitos jovens daquele tempo, a fazer carreira na vida eclesiástica.
Xavier compartilha seu quarto, no Colégio Sta. Bárbara, com o jovem Pedro Fabro e com um estudante mais velho, atrasado nos estudos, mas muito avantajado na experiência de Deus:
- Inácio de Loyola. A palavra e o exemplo de Inácio conquistam aos poucos o coração de Francisco para o seguimento radical de Jesus. Em setembro de 1534, sob a direção de Inácio, durante 30 dias faz os Exercícios Espirituais. Dois anos depois, viaja a pé, com os demais companheiros de Inácio, de Paris a Veneza, atravessando regiões em guerra e montanhas nevadas. No grupo, Xavier destaca-se pela alegria e bom humor.
A MISSÃO
Na festa de São João, do ano 1537, Xavier e os seis companheiros são ordenados padres. Alguns meses depois Xavier já se encontra em Bolonha, pregando em praça pública, cativando a simpatia do povo e rejeitando o dinheiro que lhe oferecem.O excesso de trabalho e as penitências deixam-no amarelo e seco como um cadáver. Pensa-se até que Francisco “nunca serviria para mais nada”. Impossibilitado de participar da vida ativa dos outros companheiros, Francisco assume a função de secretário de Inácio, em Roma.
Um dia, Inácio chama seu secretário e amigo e diz:
- “Mestre Francisco, sabeis que o Papa quer enviar dois de nós à Índia. Escolhemos Rodrigues e Bobadilla, mas este, agora, ficou doente. Então, esta é a sua missão!”
Xavier responde na hora: “Estou pronto”.
Arruma sua trouxa, vai ao Vaticano, para receber a bênção do Papa, e despede-se dos companheiros. Nunca mais os tornaria a ver nesta vida. Após sua passagem por Portugal, Xavier chega a Goa, uma bela cidade na costa ocidental da Índia. Seguindo seu costume, hospe-da-se em um hospital e se dedica ao cuidado dos doentes e a outras obras de caridade. Junto com a ação caritativa, inicia a evangelização do povo, pregando em praça pública. De Goa, Xavier viaja para a cidade de Cochin e para o cabo de Comorin, no sul da Índia, onde passa um ano, evangelizando os paravas, pescadores de pérolas.
SEMPRE MAIS ALÉM
De Cochin, Francisco Xavier escreve aos companheiros de Roma, queixando-se da falta de operários para trabalhar em tão grande messe e exaltando a alegria de servir. O efeito desta carta, lida nas igrejas, universidades e cortes da Europa, foi extraordinário. O ardor apostólico daquele missionário envergonha muitos cristãos acomodados e suscita vocações. Xavier projeta passar do sul da Índia para a ilha de Ceilão. Mas o projeto fracassa. O missionário, contudo, não perde tempo. Deixando um catequista em cada povoado, continua em frente.
De Meliapur, na costa oriental da Índia, navega até a Malásia. Depois de um mês de navegação, Xavier desembarca em Malaca. De lá, viaja às distantes ilhas Molucas, na atual Indonésia. Lá ouve falar de uma comunidade cristã abandonada, nas “Ilhas do Moro”. Dizem-lhe que é terra muito perigosa, porém Francisco lembra da sentença de Cristo: “Quem quiser salvar sua vida, vai perdê-la; mas quem perder sua vida por amor de mim, vai encontrála de novo” (Mt 16,25), e parte ficando lá por três meses.
O PRIMEIRO ANÚNCIO
Em Malaca, Francisco Xavier encontra-se com três habitantes de uma terra há pouco descoberta, chamada Japão. O incansável apóstolo pede a um dos japoneses que lhefaça um mapa de sua terra e, no domingo de Ramos de 1549, partem. Xavier é o primeiro missionário cristão a desembarcar no Japão. Mesmo sendo bem recebido, compreende que as conversões são mais difíceis do que na Índia. Lá bastava jogar as redes; no Japão, o missionário terá que pescar com vara. Em um ano, os cristãos não passam de cem. Depois de dois anos no Japão, sem notícias da Europa e da Índia, Xavier decide regressar. Deixa no Japão dois companheiros e várias comunidades cristãs já formadas.O SONHO
Uma carta dos prisioneiros portugueses nos terríveis cárceres de Cantão, na China, motivou seu projeto de entrar no impenetrável continente chinês. Se o cristianismo for aceito na China, a Igreja crescerá mais facilmente também no Japão, pensava Xavier. Mas, em Malaca, o capitão Álvaro de Ataíde, almirante dos mares do Oriente, opõe-se à expedição à China. Mudado o plano inicial, o missionário não desiste. Um contrabandista aceita levar Xavier clandestinamente, até o continente, mas desaparece depois de receber o dinheiro.
O missionário cai doente. No dia 21 de novembro, depois de celebrar sua última missa, Xavier fica desacordado e morre na Ilha de Sancião no dia 3 de dezembro de 1552, com 46 anos, dez dos quais vividos no Oriente. A Igreja proclama oficialmente Xavier como Santo, Padroeiro do Oriente e das missões, em 1622. A vida deste homem sem fronteiras ensina-nos que vale a pena viver e morrer por Jesus Cristo e pelos irmãos.
São Francisco de Assis
São Francisco de Assis
No dia 4 de outubro celebramos São Francisco de Assis, que nasceu na cidade de Assis, na Itália, em 1181 (ou 1182). Filho de um rico comerciante de tecidos, Francisco tirou todos os proveitos de sua condição social vivendo entre os amigos boêmios.
Tentou, como o pai, seguir a carreira de comerciante, mas a tentativa foi em vão.
Sonhou então, com as honras militares. Aos vinte anos alistou-se no exército de Gualtieri de Brienne que combatia pelo papa, mas em Spoleto teve um sonho revelador: Foi convidado a trabalhar para "o Patrão e não para o servo".
Suas revelações não parariam por aí. Em Assis, o santo dedicou-se ao serviço de doentes e pobres. Um dia do outono de 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: "Francisco, restaura minha casa decadente".
O chamado, ainda pouco claro para São Francisco, foi tomado no sentido literal e o santo vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. Como resultado, o pai de São Francisco, indignado com o ocorrido, deserdou-o.
Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, São Francisco deu início à sua vida religiosa, "unindo-se à Irmã Pobreza". A Ordem dos Frades Menores teve início com a autorização do papa Inocêncio III e Francisco e onze companheiros tornaram-se pregadores itinerantes, levando Cristo ao povo com simplicidade e humildade.
O trabalho foi tão bem realizado que, por toda Itália, os irmãos chamavam o povo à fé e à penitência. A sede da Ordem, localizada na capela de Porciúncula de Santa Maria dos Anjos, próxima a Assis, estava superlotada de candidatos ao sacerdócio. Para suprir a necessidade do espaço, foi aberto outro convento em Bolonha.
Um fato interessante entre os pregadores itinerantes foi que poucos, dentre eles, tomaram as ordens sacras. São Francisco de Assis, por exemplo, nunca foi sacerdote.
Em 1212, São Francisco fundou com sua fiel amiga Santa Clara, a Ordem das Damas Pobres ou Clarissas. Já em 1217, o movimento franciscano começou a se desenvolver como uma ordem religiosa. E como já havia ocorrido anteriormente, o número de membros era tão grande que foi necessária a criação de províncias que se encaminharam por toda a Itália e para fora dela, chegando inclusive à Inglaterra.
Sua devoção a Deus não se resumiria em sacrifícios, mas também em dores e chagas. Enquanto pregava no Monte Alverne, nos Apeninos, em 1224, apareceram-lhe no corpo as cinco chagas de Cristo, no fenômeno denominado "estigmatização".
Os estigmas não só lhe apareceram no corpo, como foram sua grande fonte de fraqueza física e, dois anos após o fenômeno, São Francisco de Assis foi chamado ao Reino dos Céus.
Autor do Cântico do Irmão Sol, considerado um poeta e amante da natureza, São Francisco foi canonizado dois anos após sua morte.
Em 1939, o papa Pio XII tributou um reconhecimento oficial ao "mais italiano dos santos e mais santo dos italianos", proclamando-o padroeiro da Itália.
Santo Antônio
Santo Antônio
Protetor dos pobres, o auxílio na busca de objetos ou pessoas perdidas, o amigo nas causas do coração. Assim é Santo Antônio de Pádua, frei franciscano português, que trocou o conforto de uma abastada família burguesa pela vida religiosa.
Contam os livros que o santo nasceu em Lisboa, em 15 de agosto de 1195, e recebeu no batismo o nome de Fernando. Ele era o único herdeiro de Martinho, nobre pertencente ao clã dos Bulhões y Taveira de Azevedo. Sua infância foi tranqüila, sem maiores emoções, até que resolveu optar pelo hábito. A escolha recaiu sobre a ordem de Santo Agostinho.Os primeiros oito anos de vida do jovem frei, passados nas cidades de Lisboa e Coimbra, foram dedicados ao estudo. Nesse período, nada escapou a seus olhos: desde os tratados teológicos e científicos às Sagradas Escrituras. Sua cultura geral e religiosa era tamanha que alguns dos colegas não hesitavam em chamá-lo de "Arca do Testamento".
Reservado, Fernando preferia a solidão das bibliotecas e dos oratórios às discussões religiosas. Bem, pelo menos até um grupo de franciscanos cruzar seu caminho. O encontro, por acaso, numa das ruas de Coimbra marcou-o para sempre. Eles eram jovens diferentes, que traziam nos olhos um brilho desconhecido. Seguiam para o Marrocos, na África, onde pretendiam pregar a Palavra de Deus e viver entre os sarracenos.
A experiência costumava ser trágica. E daquela vez não foi diferente. Como a maioria dos antecessores, nenhum dos religiosos retornou com vida. Depois de testemunhar a coragem dos jovens frades, Fernando decidiu entrar para a Ordem Franciscana e adotar o nome de Antônio, numa homenagem à Santo Antão. Disposto a se tornar um mártir, ele partiu para o Marrocos, mas logo após aportar no continente africano, Antônio contraiu uma febre, ficou tão doente que foi obrigado à voltar para a casa. Mais uma vez, os céus lhe reservava novas surpresas. Uma forte tempestade obrigou seu barco a aportar na Sicília, no sul da Itália. Aos poucos, recuperou a saúde e concebeu um novo plano: decidiu participar da assembléia geral da ordem em Assis, em 1221, e deste modo conheceu São Francisco pessoalmente.
É difícil imaginar a emoção de Santo Antônio ao encontrar seu mestre e inspirador, um homem que falava com os bichos e recebeu as chagas do próprio Cristo. Infelizmente, não há registros deste momento tão particular da história do Cristianismo. Sabe-se apenas que os dois santos se aproximaram mais tarde, quando o frei português começou a realizar as primeiras pregações. E que pregações! Santo Antônio era um orador inspirado. Suas pregações eram tão disputadas que chegavam a alterar a rotina das cidades, provocando o fechamento adiantado dos estabelecimento comerciais.
De pregação em pregação, de povoado em povoado, o santo chegou a Pádua. Lá, converteu um grande número de pessoas com seus atos e suas palavras. Foi para esta cidade que ele pediu que o levassem quando seu estado de saúde piorou, em junho de 1231. Santo Antônio, porém, não resistiu ao esforço e morreu no dia 13, no convento de Santa Maria de Arcella, às portas da cidade que batizou de "casa espiritual". Tinha apenas 36 anos de idade.
O pedido do religioso foi atendido dias depois, com seu enterro na Igreja de Santa Maria Mãe de Deus. Anos depois, seus restos foram transferidos para a enorme basílica, em Pádua. O processo de canonização de frei Antônio encabeça a lista dos mais rápidos de toda a história. Foi aberto meses depois de sua morte, durante o pontificado de Papa Gregório IX, e durou menos de ano.
Graças a sua dedicação aos humildes, Santo Antônio foi eleito pelo povo o protetor dos pobres. Transformou-se num dos filhos mais amados da Igreja, um porto seguro a qual todos – sem exceção – podem recorrer. Uma das tradições mais antigas em sua homenagem é, justamente, a distribuição de pães aos necessitados e àqueles que desejam proteção em suas casas.
Homem de oração, Santo Antônio se tornou santo porque dedicou toda a sua vida para os mais pobres e para o serviço de Deus.
Diversos fatos marcaram a vida deste santo, mas um em especial era a devoção a Maria. Em sua pregação, em sua vida a figura materna de Maria estava presente. Santo Antônio encontrava em Maria além do conforto a inspiração de vida.
O seu culto, que tem sido ao longo dos séculos objeto de grande devoção popular é difundido por todo o mundo através da missionação e miscigenado com outras culturas (nomeadamente Afro-Brasileiras e Indo-Portuguesas).
Santo Antônio torna-se um dos santos de maior devoção de todos os povos e sem dúvida o primeiro português com projeção universal.
De Lisboa ou de Pádua, é por excelência o Santo "milagreiro", "casamenteiro", do "responso" e do Menino Jesus. Padroeiro dos pobres é invocado também para o encontro de objetos perdidos.
Sobre seu túmulo, em Pádua, foi construída a basílica a ele dedicada.
Nossa Senhora das Graças
Nossa Senhora das Graças
Em uma tarde de sábado, no dia 27 de novembro de 1830, na capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Santa Catarina Labouré teve uma visão de Nossa Senhora. A Virgem Santíssima estava de pé sobre um globo, segurando com as duas mãos um outro globo menor, sobre o qual aparecia uma cruzinha de ouro. Dos dedos das suas mãos, que de repente encheram-se de anéis com pedras preciosas, partiam raios luminosos em todas as direções e, num gesto de súplica, Nossa Senhora oferecia o globo ao Senhor.
Santa Catarina Labouré relatou assim sua visão: "A Virgem Santíssima baixou para mim os olhos e me disse no íntimo de meu coração: 'Este globo que vês representa o mundo inteiro (...) e cada pessoa em particular. Eis o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que as pedem.' Desapareceu, então, o globo que tinha nas mãos e, como se estas não pudessem já com o peso das graças, inclinaram-se para a terra em atitude amorosa. Formou-se em volta da Santíssima Virgem um quadro oval, no qual em letras de ouro se liam estas palavras que cercavam a mesma Senhora: Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós. Ouvi, então, uma voz que me dizia: 'Faça cunhar uma medalha por este modelo; todas as pessoas que a trouxerem receberão grandes graças, sobretudo se a trouxerem no pescoço; as graças serão abundantes, especialmente para aqueles que a usarem com confiança.' "
Então o quadro se virou, e no verso apareceu a letra M, monograma de Maria, com uma cruz em cima, tendo um terço na base; por baixo da letra M estavam os corações de Jesus e sua Mãe Santíssima. O primeiro cercado por uma coroa de espinhos, e o segundo atravessado por uma espada. Contornando o quadro havia uma coroa de doze estrelas.
A mesma visão se repetiu várias vezes, sobre o sacrário do altar-mor; ali aparecia Nossa Senhora, sempre com as mãos cheias de graças, estendidas para a terra, e a invocação já referida a envolvê-la.
O Arcebispo de Paris, Dom Quelen, autorizou a cunhagem da medalha e instaurou um inquérito oficial sobre a origem e os efeitos da medalha, a que a piedade do povo deu o nome de Medalha Milagrosa, ou Medalha de Nossa Senhora das Graças. A conclusão do inquérito foi a seguinte: "A rápida propagação, o grande número de medalhas cunhadas e distribuídas, os admiráveis benefícios e graças singulares obtidos, parecem sinais do céu que confirmam a realidade das aparições, a verdade das narrativas da vidente e a difusão da Medalha".
Nossa Senhora da Medalha Milagrosa é a mesma Nossa Senhora das Graças, por ter Santa Catarina Labouré ouvido, no princípio da visão, as palavras: "Estes raios são o símbolo das Graças que Maria Santíssima alcança para os homens."
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